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Como a tecnologia termomagnética pode transformar a gestão de resíduos sólidos urbanos no Brasil?

Marcello José Abbud explica que a tecnologia termomagnética é uma das abordagens com maior potencial de transformar o tratamento de RSU no país nas próximas décadas. Em um cenário em que aterros sanitários operam próximos da capacidade máxima e municípios buscam alternativas viáveis aos lixões, a termomagnética surge como uma resposta técnica concreta a um problema que não pode mais ser adiado.

O Brasil gera, segundo dados do setor, mais de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano. Grande parte desse volume ainda é destinada de forma inadequada, seja em aterros com vida útil comprometida, seja em áreas irregulares que representam risco ambiental e sanitário. Tecnologias capazes de tratar esse fluxo de forma eficiente, reduzindo volume, eliminando patógenos e aproveitando subprodutos, passaram a ocupar o centro das discussões técnicas e regulatórias no setor.

Para entender por que a tecnologia termomagnética está chamando a atenção de gestores públicos e especialistas, continue lendo e conheça os fundamentos do processo, suas vantagens práticas e os desafios que ainda precisam ser superados para sua adoção em larga escala no Brasil.

O que é, afinal, a tecnologia termomagnética e como ela trata os resíduos?

A tecnologia termomagnética combina a aplicação de calor controlado com campos eletromagnéticos para processar resíduos sólidos sem combustão convencional. Diferentemente da incineração tradicional, o processo não depende de chama direta, o que reduz significativamente a emissão de gases poluentes e a geração de cinzas contaminantes. O resultado é a desintegração da matéria orgânica e a esterilização do material processado, produzindo subprodutos com potencial de reaproveitamento.

Para Marcello José Abbud, uma das principais vantagens do processo está justamente nessa característica: a ausência de combustão aberta permite operar dentro de parâmetros ambientais mais rigorosos, o que facilita o licenciamento e a aceitação social das instalações. Em municípios onde a resistência da população a plantas de tratamento é um obstáculo recorrente, esse atributo técnico tem peso considerável no processo de tomada de decisão.

Por que municípios de pequeno e médio porte deveriam prestar atenção nessa tecnologia?

A escala é, historicamente, um dos argumentos usados para justificar a adoção de grandes plantas de tratamento em metrópoles e a manutenção de aterros em municípios menores. Essa lógica, contudo, está sendo revisada. De acordo com Marcello José Abbud, soluções baseadas em tecnologia termomagnética podem ser dimensionadas de forma modular, o que significa que um município com 20 ou 30 mil habitantes pode operar uma unidade adequada ao seu volume de geração sem os custos fixos elevados de uma planta industrial convencional.

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

Essa modularidade muda o cálculo econômico para prefeituras que, até hoje, dependiam de consórcios intermunicipais ou de contratos com aterros privados distantes. Quando o custo de transporte e disposição final é somado ao passivo ambiental gerado por décadas de destinação inadequada, a conta começa a favorecer a adoção de tecnologias locais de tratamento. O retorno sobre o investimento, nesses casos, precisa ser calculado não apenas em termos financeiros diretos, mas considerando a redução de multas ambientais, a valorização de subprodutos e o encerramento de passivos fundiários.

Os desafios que ainda precisam ser superados para a adoção em escala

Como sugere Marcello José Abbud, o principal gargalo para a expansão da tecnologia termomagnética no Brasil não é tecnológico, mas institucional. O licenciamento ambiental de plantas de tratamento de RSU ainda é um processo lento e fragmentado, com critérios que variam significativamente entre estados e municípios. Essa inconsistência regulatória eleva o risco percebido pelos investidores e dificulta a estruturação de financiamentos de longo prazo.

Marcello José Abbud também aponta a necessidade de capacitação técnica nas prefeituras. Gestores que não conhecem os fundamentos do processo têm dificuldade para avaliar propostas, exigir métricas de desempenho nos contratos e fiscalizar a operação. Sem essa competência interna mínima, qualquer tecnologia, por mais eficiente que seja, corre o risco de ser mal operada ou de gerar resultados aquém do potencial.

Construção de uma cultura técnica é essencial para a evolução do tratamento de resíduos no país

Sob o ponto de vista de Marcello José Abbud, o setor de resíduos sólidos no Brasil está em um ponto de inflexão. As pressões regulatórias, ambientais e sociais convergem para tornar insustentável a manutenção do modelo baseado em aterramento extensivo. Tecnologias como a termomagnética representam não apenas uma alternativa técnica, mas uma mudança de paradigma na forma como o país pode encarar o problema do RSU: não mais como um custo a ser minimizado, mas como um fluxo de materiais a ser gerenciado com inteligência e valor agregado. Esse novo padrão exige protagonismo de empresas especializadas, regulação clara e gestores públicos dispostos a tomar decisões baseadas em dados e não apenas em precedentes. 

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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