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Museu da Imigração do Brás lança exposição e residência artística que reescrevem a história de quem construiu São Paulo

Instalada na antiga Hospedaria de Imigrantes, instituição abre 2026 com nova mostra de longa duração e programa que reflete sobre injustiças históricas da migração.

Há um edifício no Brás que guarda uma das histórias mais intensas de São Paulo. Não é um shopping, não é uma fábrica e não é uma Igreja. É a antiga Hospedaria de Imigrantes, hoje transformada no Museu da Imigração, que durante décadas foi a primeira morada de centenas de milhares de pessoas que chegavam ao Brasil com pouco na bagagem e muito na esperança. Em 2026, essa instituição está mais viva do que nunca, com uma nova exposição de longa duração e um programa de residência artística que coloca no centro do debate as histórias que por muito tempo ficaram fora dos livros.

O Museu da Imigração apresenta ao público sua nova exposição de longa duração: Migrar – Histórias Compartilhadas Sobre Nós. A exposição, que marca um novo posicionamento institucional do próprio Museu frente às migrações, foi produzida a partir de um projeto curatorial colaborativo que, desde 2022, promoveu um minucioso processo de escuta com migrantes, refugiados, acadêmicos, ativistas, moradores do entorno, visitantes e instituições relacionadas à temática migratória. Cultura

A exposição que dá voz a quem não costuma aparecer nos livros de história

Para materializar as reflexões da exposição e reforçar a construção de novas narrativas sobre migração, as escolhas incluem e ressaltam as vozes de grupos invisibilizados ou historicamente marginalizados na história oficial do Brasil e na construção do conceito da imigração brasileira, como indígenas, negros, refugiados e apátridas. A proposta representa uma virada importante: reconhecer que a história da imigração não é só a dos italianos que abriram restaurantes ou dos japoneses que se tornaram agricultores, mas também a dos nordestinos que chegaram com a seca, dos bolivianos que costuram em oficinas e dos refugiados que chegam todos os dias sem escolha. Cultura

A história do Museu da Imigração tem como ponto de partida o projeto da Hospedaria de Imigrantes do Brás. Inaugurada em 1887, a Hospedaria de Imigrantes foi a primeira morada paulistana de milhares de estrangeiros e brasileiros de outros estados que escolheram viver em São Paulo. Suas principais funções eram acolher e encaminhar os imigrantes aos novos empregos. Museu da Imigração

O Museu da Imigração fomenta o diálogo sobre as migrações como um fenômeno contemporâneo, que não se encerra com o fechamento das atividades da Hospedaria, reconhecendo a recepção dos milhões de migrantes atuais e a repercussão desse deslocamento para a cidade. Essa perspectiva é fundamental para entender o Brás de hoje: o bairro não é apenas museu do passado, mas laboratório vivo da migração contemporânea. Servicos SP

O módulo “Migrações Internas” traz fotografias, textos, depoimentos, jornais e uma instalação de cordéis para falar sobre pessoas vindas de outras cidades do estado e de diversas regiões do Brasil, fundamentais para o desenvolvimento, a diversidade cultural e o cosmopolitismo de São Paulo. Em “Diáspora Brasileira”, a ótica de brasileiros que vivem fora do país é abordada, com dados estatísticos e depoimentos que revelam diferentes experiências. Cultura

A residência artística que propõe reparação histórica

Além da exposição permanente, o Museu lança em 2026 a quarta edição do seu Programa de Residência Artística, com um tema que provoca reflexão. Para a edição de 2026, foi definido o tema “Injustiças do Passado, Escolhas para o Futuro”. A proposta dialoga diretamente com o projeto internacional Past Wrongs, Future Choices, do qual o Museu da Imigração é parceiro ativo, e tem como objetivo refletir criticamente sobre injustiças históricas associadas às migrações, ao racismo e às políticas de segurança nacional. Museu da Imigração

O projeto envolve parceiros da Austrália, Brasil, Canadá, Japão e Estados Unidos, e tem como fio condutor a experiência de imigrantes japoneses nas Américas nas primeiras décadas do século XX. A exposição da obra resultante do Programa de Residência Artística ficará em cartaz nas dependências do Museu da Imigração durante três meses, podendo ser prorrogada. Museu da Imigração

A iniciativa é relevante porque conecta o passado com o presente de forma direta. Com o crescimento urbano, o Brás continua se reinventando, mesclando suas raízes históricas com a modernização. O bairro é um mosaico de culturas, com forte presença de comunidades bolivianas e asiáticas que contribuem para a diversidade de comércios e serviços na região. NSC Total

O Brás de 2026 guarda, na mesma quadra, uma feira que abre às três da manhã e um museu que guarda cartas de imigrantes do século passado. Essa convivência improvável é exatamente o que torna o bairro singular. A nova exposição do Museu da Imigração e a residência artística deste ano são um convite para entender que o presente do Brás é inseparável das histórias que passaram por aquelas ruas antes. Vale a visita.

Fontes: Museu da Imigração (museudaimigracao.org.br), Secretaria da Cultura SP (cultura.sp.gov.br), Portal do Estado de SP (servicos.sp.gov.br), NSC Total (nsctotal.com.br), Wikipédia (pt.wikipedia.org)

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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