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Seguro rural encolhe bem quando o clima mais pesa

Justamente no momento em que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes no país, a proteção do seguro rural está encolhendo. Wander Aguilera Almeida, empresário intermediador no mercado de grãos, visualiza nesse descompasso um risco silencioso para o produtor: a área de lavoura protegida por seguro subvencionado despencou mais da metade em relação ao ano anterior, o pior resultado em uma década inteira de funcionamento do programa, justo quando a proteção deveria crescer junto com a instabilidade cada vez maior do clima brasileiro.

Veja a seguir por que isso está acontecendo e o que resta ao produtor diante desse cenário.

Um programa que já foi maior

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, que ajuda a pagar parte do custo da apólice contratada pelo produtor, chegou a bater recorde histórico de apólices contratadas há alguns anos, antes de entrar em trajetória de queda ligada diretamente ao orçamento disponível a cada safra específica.

Wander Aguilera Almeida descreve que essa oscilação orçamentária transformou um instrumento pensado para dar previsibilidade em algo imprevisível por si só: o produtor nunca sabe, de um ano para o outro, se vai conseguir contratar a apólice subvencionada ou se o recurso vai acabar antes de chegar até ele, mesmo com o pedido já protocolado dentro do prazo correto.

Por que o corte chega em má hora?

Estiagens, geadas e chuvas em excesso vêm se intensificando, com o próprio governo reconhecendo aumento expressivo nos decretos de calamidade e emergência relacionados ao clima nos últimos anos, muitos deles atingindo diretamente regiões produtoras de grãos espalhadas pelo país.

Wander Aguilera Almeida
Wander Aguilera Almeida

O Plano Safra mais recente ampliou crédito e reduziu juros em diversas linhas, mas deixou o seguro rural sem solução estrutural, decisão que gerou reação imediata de entidades do setor, cooperativas de crédito e seguradoras que já vinham cobrando definição sobre o tema há meses de negociação. Estimativas de entidades ligadas ao agronegócio apontam que a área segurada pode recuar para menos de três por cento de toda a área agrícola do país neste ciclo, patamar considerado insuficiente diante do tamanho da produção nacional.

Segundo Wander Aguilera Almeida, essa lacuna pesa mais sobre quem tem menos margem financeira para absorver um prejuízo sozinho, já que produtores maiores conseguem diluir risco entre várias propriedades ou regiões diferentes, enquanto o pequeno e médio produtor fica exposto de forma quase integral a qualquer evento climático isolado que atinja justamente sua única área plantada.

Mudanças que também afetam quem já usava o Proagro

Regras recentes reduziram o teto de enquadramento no Proagro, programa que protege financiamentos de custeio contra perdas climáticas, deixando parte dos produtores de porte médio fora da cobertura que antes os alcançava sem qualquer restrição adicional.

O critério de exclusão por histórico de sinistro também ficou mais rígido, exigindo múltiplas ocorrências de perda antes de excluir o produtor do programa, mudança que impacta diretamente quem já enfrentou mais de uma quebra de safra recente na mesma propriedade.

O que resta ao produtor fazer?

Diversificar a proteção contra risco climático, combinando seguro privado, reserva financeira própria e ferramentas de trava de preço, torna-se ainda mais necessário justamente quando o apoio público perde força e previsibilidade ano após ano. Buscar cotação de seguro privado sem depender exclusivamente da subvenção do governo também passa a fazer mais sentido, mesmo que o custo final seja mais alto do que em safras anteriores.

Para Wander Aguilera Almeida, entender essa mudança de cenário com antecedência, e não descobrir a falta de cobertura só depois de uma quebra de safra, é o que separa o produtor que se planeja do que apenas torce para que nada dê errado naquele ciclo específico.

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