Brasil

Inflação perde força e mercado de trabalho resiste, mas juros altos ainda travam a economia

O cenário econômico brasileiro de agosto traz um misto de alívio e cautela.

Depois de meses de pressão sobre os preços, os indicadores mais recentes mostram uma inflação em desaceleração, o que tem trazido algum fôlego para o bolso do consumidor, ainda que os efeitos da política monetária restritiva continuem pesando sobre famílias e empresas.

Prévia da inflação confirma trajetória de queda

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, prévia da inflação de agosto divulgada pelo IBGE, é acompanhado de perto pelo mercado neste mês. Em julho, o IPCA consolidado ficou em 0,07%, resultado que indicou desaceleração da alta de preços, puxada principalmente pela queda nos preços dos alimentos, enquanto o aumento no valor da energia impediu uma retração ainda maior do índice. Para o mercado financeiro, a expectativa medida pelo Banco Central no Boletim Focus é de uma inflação anual de 5,02%, patamar que segue acima do centro da meta, mas bem distante dos picos observados em anos anteriores. O TEMPO + 2

Levantamentos privados reforçam essa leitura. A edição de agosto do boletim econômico da Serasa Experian aponta que a inflação perdeu força, o real voltou a se valorizar e o mercado de trabalho continuou aquecido, embora os juros sigam altos, a inadimplência continue crescendo e a atividade econômica mostre menos fôlego. No câmbio, o dólar encerrou julho próximo de R$ 5,07, com queda de 1,9% em relação a junho, movimento que interrompeu dois meses de perda de força do real. A melhora veio principalmente do cenário externo, com o enfraquecimento global do dólar e a alta do petróleo, ainda que a moeda brasileira continue sensível aos juros nos Estados Unidos e às incertezas fiscais e eleitorais no Brasil. Serasa Experian + 2

Emprego segue como ponto forte

Enquanto a inflação perde ritmo, o mercado de trabalho continua sendo o destaque positivo do ano. A taxa de desemprego chegou a ficar em 5,4% no trimestre encerrado em outubro do ano passado, a menor desde 2012, e a manutenção de um nível de ocupação elevado tem sustentado o consumo das famílias mesmo em um ambiente de juros restritivos. Desde janeiro de 2026, o salário mínimo passou a ser de R$ 1.621, valor que incorpora a variação da inflação medida pelo INPC somada ao crescimento econômico, conforme a regra de valorização em vigor, o que ajuda a explicar por que o consumo resiste apesar do crédito mais seletivo. IREEFundação Perseu Abramo

O contraponto a esse cenário mais favorável está na taxa Selic, que permanece em patamar elevado e encarece o crédito para empresas e famílias. O Banco Central projeta uma alta de apenas 1,6% do PIB em 2026, o menor ritmo em seis anos, em um contexto de juros elevados, inflação sob controle e nível de emprego que segue resiliente. Esse descompasso entre um mercado de trabalho aquecido e uma atividade econômica mais lenta é um dos principais desafios da política monetária neste momento, já que reduzir os juros rápido demais poderia reacender a pressão inflacionária vinda do consumo. IREE

Reflexos no dia a dia do brasileiro

Para quem organiza as contas de casa, a combinação de inflação menor com juros ainda altos tem efeitos práticos: o crédito consignado, o financiamento de veículos e o parcelamento no cartão continuam caros, mesmo que os preços no supermercado subam em ritmo mais moderado. Especialistas ouvidos por veículos econômicos avaliam que essa fase de transição deve se estender pelo menos até o fim do ano, à medida que o Banco Central avalia o momento correto para iniciar um novo ciclo de corte de juros sem comprometer o controle da inflação.

Os próximos indicadores a serem divulgados pelo IBGE e pelo Banco Central devem confirmar se a desaceleração da inflação é consistente o suficiente para abrir espaço a uma flexibilização monetária ainda em 2026. Até lá, o consumidor brasileiro segue equilibrando um cenário de renda em recuperação com o peso de um crédito que ainda não voltou a ficar barato.

Fontes:

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